Somos “seres de relações”, uma dimensão humana fundamental, analisada por filósofos como Martin Buber e Paulo Freire. Eles demonstram como nossa existência individual é intrinsecamente ligada a uma vasta rede de interconexões, desde nossas relações interpessoais e sociais até as cósmicas e biológicas.
Exemplos práticos como o nome (pessoal+familiar), nosso prato de comida cotidiano, a composição do universo e até do corpo humano ilustram essa interdependência de relações. Em conclusão: nossa capacidade de desenvolver e criar novas relações é essencial para construir uma condição humana mais feliz e harmoniosa.
Na mitologia, Caos é um deus primordial, no qual nada se diferencia. É como uma lama informe, uma sopa primordial. O Caos é energia pura, o acúmulo de possibilidades.
O contraponto ao Caos, é o Cosmos, que significa “ordem”, “beleza”, “harmonia”. O Cosmos abrange a totalidade de nosso Universo, desde as imensas galáxias até as partículas subatômicas. Quando o Cosmos surge, os elementos originais começam a se diferenciar, sendo impulsionados pela extraordinária energia antes concentrada no Caos. O Cosmos é a obra-prima dos deuses. Escrita por Hesíodo, a obra “Teogonia” imagina a origem dos deuses gregos. Homero – autor da Ilíada e da Odisseia – e Hesíodo consolidaram a mitologia grega, atribuindo aos deuses sua corporeidade, emoções, paixões e virtudes, o que os tornou acessíveis à mente humana. Em síntese, a Teogonia narra a passagem do Caos até o Cosmos
Antes do surgimento da Filosofia, como os gregos antigos orientavam sua vida? A resposta é “através do mito”. O mito pode ser definido em três sentidos principais: como cosmovisão; como relatos de origem; equivocadamente, apenas como fábula enquanto, na verdade, ele bebe de uma sabedoria ancestral.
É apresentada a relação intrínseca entre mitos e rituais, em que a prática dos rituais revela a verdade do mito. Por fim, se discute a persistência dos mitos na sociedade contemporânea, apesar do avanço científico, e como eles se manifestam em mídias modernas e na busca humana por transcendência
Este programa apresenta um diálogo sobre a relevância de mitos antigos para a compreensão de desafios contemporâneos. Inicialmente, compara as esfinges modernas, como pandemias e questões sociais, aos enigmas que ameaçam nossa sociedade.
Em seguida, a discussão se concentra no mito de Narciso, detalhando sua origem, a punição por sua arrogância e sua posterior transformação em flor.
Por fim, reflete sobre o significado do narcisismo como auto absorção prejudicial e oferece perspectivas sobre como superar esse isolamento, sugerindo obras artísticas e filosóficas para aprofundamento e reflexão.
Este episódio introdutório dá uma visão geral da encíclica, “Laudato Sì: sobre o cuidado da casa comum” ( 2015), assinada pelo papa Francisco.
O documento aborda o desafio ecológico global. Esta carta solene, cujo título se inspira em São Francisco de Assis, foi escrita para engajar em diálogo toda a humanidade, incluindo crentes, não crentes e especialistas de diversas áreas.
A encíclica é notável por sua abordagem interdisciplinar ao integrar ecologia, filosofia, teologia, ética, justiça e economia. Seu lançamento se articulou a como a COP21 em Paris.
O texto defende que a Terra é nossa “casa comum” que não deve ser saqueada, alertando para a íntima relação entre a fragilidade do planeta e a dos pobres.
Além disso, a obra propõe a conversão ecológica pessoal e um novo estilo de vida baseado na sobriedade e na superação da cultura do descarte. Toda a encíclica é por dez eixos temáticos, ou fios condutores. O mais conhecido é “tudo está interligado”.
Este episódio aborda o capítulo 1 da encíclica Laudato Sì: “O que acontece com nossa casa?”. O texto utiliza o método VER- JULGAR- AGIR para analisar a crise ecológica.
O Papa Francisco examina a aceleração das mudanças e seus impactos ambientais, como a extinção de espécies e o sofrimento pessoal que a destruição do planeta deve causar nos indivíduos.
A encíclica aborda diversos problemas urgentes, como a poluição, as mudanças climáticas resultantes da queima de combustíveis fósseis, e a perda de biodiversidade decorrente da ganância e do imediatismo.
Além disso, o papa critica a deterioração da qualidade de vida humana nas sociedades modernas e a desigualdade planetária, onde os pobres sofrem os piores efeitos da degradação.
Finalmente, o texto destaca a fraqueza das reações internacionais diante da crise e a necessidade urgente de uma ética global para combater a insustentabilidade do sistema atual.
Mas a esperança nos leva a reconhecer que sempre há uma saída.
Este episódio integra a série feita em parceria com a Inteligência Artificial, daí o nome “Filosof.IA.
O texto oferece uma análise detalhada do Capítulo 2 da encíclica Laudato Sì, do Papa Francisco, que se intitula “O Evangelho da Criação”.
Ele explica que a encíclica é dirigida a toda a humanidade, os crentes ou não, e possui um tom poético e otimista sobre a dramática crise ambiental.
O documento interpreta as escrituras judaico-cristãs sob uma lente ecológica, lembrando que Deus incumbiu os humanos de cultivar e guardar a Terra, e não explorá-la desenfreadamente.
São apresentados sete blocos temáticos , que tratam da sabedoria bíblica, do mistério do universo, da comunhão universal das criaturas e da subordinação da propriedade privada ao bem coletivo.
Finalmente, o texto apresenta Jesus de Nazaré como um modelo de virtudes ecológicas e o Cristo ressuscitado como guia de todas as criaturas até a plenitude.
O Papa Francisco e a questão ecológica capítulo 3
O texto deste podcast analisa o Capítulo 3 da encíclica papal “Laudato Sì”, intitulado “A raiz humana da crise ecológica”.
A tese do Papa Francisco é que a crise ambiental é causada pela ação humana, refutando as alegações de negacionistas e das multinacionais.
Detalha a crítica do Papa ao “paradigma tecnocrático”, que vê a natureza apenas como um objeto de manipulação por grupos de poder, o que leva à exploração máxima de recursos.
Este episódio também analisa o conceito de “antropocentrismo desordenado”, que resulta em relativismo prático e na lógica do “usa e joga fora”; que afeta o trabalho, a ética social e o tratamento de vulneráveis, incluindo a natureza e os pobres.
Por fim, o texto propõe uma revolução cultural e econômica para sanar as relações fundamentais, valorizar o trabalho humano e construir um sentido de vida mais solidário.
O Papa Francisco – Uma Ecologia Integral
Esse podcast analisa o Capítulo 4 da encíclica “Laudato Sì” do Papa Francisco e se intitula “Uma ecologia integral”.
O foco principal é o argumento de que a crise ecológica é inseparável das questões sociais. Exige, portanto, soluções socioambientais
Este episódio apresenta cinco blocos temáticos, abordando a ecologia nas dimensões: ambiental, econômica, social, cultural e da vida cotidiana.
Temas centrais são: o princípio do bem comum; a justiça intergeracional. Sublinha que o atual estilo de vida consumista é insustente
O Papa Francisco e a questão ecológica
Este podcast apresenta um resumo do Capítulo 5 da encíclica ecológica Laudato Sì, do Papa Francisco. Aqui são apresentadas diretrizes e ações para combater a autodestruição ambiental, integrando ecologia, política e economia.
O primeiro bloco temático enfatiza a necessidade de consenso global para implementar políticas sustentáveis, como a substituição de combustíveis fósseis por energia renovável. Critica a lentidão das nações ricas, atribuindo-lhes responsabilidade histórica pelas emissões.
Em seguida, o texto discute o papel das políticas nacionais e locais na promoção do bem comum e da legislação ambiental, destacando que a sociedade civil e o poder local são cruciais para a mudança.
Os blocos subsequentes abordam a importância da transparência nos processos decisórios para combater a corrupção; estudos de impacto ambiental completos; a defende uma economia e política direcionadas à plenitude humana, sugerindo uma desaceleração do crescimento econômico.
Por fim, ressalta a necessidade do diálogo entre religiões e ciências para fornecer motivação ética e sentido para a construção do bem comum universal em face da crise ecológica.
O Papa Francisco- educação e espiritualidade ecológicas
Este episódio é um resumo detalhado do sexto e último capítulo da encíclica ecológica do Papa Francisco, a Laudato Si’.
Intitula-se “Educação e espiritualidade ecológicas” e apresenta nove blocos temáticos. Começa com a necessidade de consciência de um futuro comum e a superação do mecanismo compulsivo de consumo.
Discute a importância de mudar estilos de vida para pressionar o poder econômico e político, educar para uma aliança entre humanidade e ambiente, e a conversão ecológica como um ato comunitário.
Além disso, aborda a alegria da sobriedade, o amor civil e político como base para uma cultura de cuidado, e a presença do mistério divino na natureza através de sinais sacramentais.
Culmina com uma mensagem de esperança.
A maior parte do documento aponta para Sueli Carneiro, detalha sua biografia, ativismo antirracista e feminista. Analisa seus principais conceitos filosóficos, como “dispositivo de racialidade,” “necropolítica,” e “epistemicídio”.
Também é apresentada Lélia Gonzalez, reconhecida como precursora do movimento e criadora de conceitos como “amefricanidade”.
Você vai conhecer Conceição Evaristo, que liga literatura e filosofia através da “escrevivência”. O texto também menciona Djamila Ribeiro, conhecida por popularizar o debate sobre “lugar de fala,” e a historiadora e ativista Beatriz Nascimento, que pesquisou a diáspora africana e os quilombos.
Natal: pobrezinho, nasceu (e morre) em Belém
Este podcast é uma reflexão sobre uma viagem a Israel e à Cisjordânia palestina realizada pelo autor, Jorge Claudio Ribeiro, e sua esposa em 2016.
Um dos pontos altos foi a cidade de Belém. A narrativa mistura experiências pessoais de turismo religioso/pedagógico e observações sobre o conflito geopolítico da região.
A primeira impressão foi a trágica ironia de denominar aquela região como “Terra Santa”: seria mais apropriado o nome “Terra Sangue”? Tudo remete a conflitos de narrativas frequentemente verbalizados pela cautelosa expressão “segundo a tradição”.
O autor descreve a visita a locais considerados sagrados em Belém, como a Basílica da Natividade, e discute como as tradições bíblicas são frequentemente simbólicas ou controversas, como o local exato de nascimento de Jesus (outra tradição afirma que foi em Nazaré).
Também mencionada a gruta situada ali ao lado, onde, segundo a tradição, São Jerônimo trabalhou por décadas em sua democratizante versão da Bíblia para o latim.
O relato “sofre” o Muro do Apartheid construído por Israel, detalha também os frequentes boicotes de água e luz relatados a ele, enfrentados pelos palestinos sob ocupação israelense. Momento intenso foi o triste e revoltado retorno para casa, dos palestinos que trabalham em Jerusalém.
Conclui com uma poderosa indagação: “Se o menino Jesus nascesse hoje, seria judeu por origem familiar e palestino por local de nascimento. Logo seria massacrado com os santos inocentes pelo moderno Rei Herodes. Ressuscitará?”
Natal: o que celebramos nesse dia?
Este podcast reflete sobre o significado do Natal.
Compara a tradição religiosa do presépio e do nascimento de Jesus, com o espetáculo contemporâneo da festa. Debaixo do tsunami de luzes e presentes, resiste uma criança tão humana que é divina.
Celebrar esse nascimento deste e de tantos deuses e deusas, se torna difícil diante das tragédias de todo tipo, vividas atualmente em nossas sociedades.
Apesar do aparente “velório do sagrado”, essa celebração se explica por razões antropológicas e poéticas. Isso porque as divindades são espelho da humanidade e suscitam a ESPERANÇA, atitude fundamental que faz a vida florescer.
A esperança não é espera passiva, mas uma ação comprometida e ativa (relativa ao verbo “esperançar” sugerido por Paulo Freire). É uma espécie de útero espiritual que nos convida a renovar a face da Terra e construir a paz.
Fazemos votos de que o Solstício místico venha a amamentar nossa esperança e abrir caminho para a paz no mundo.
Feliz Natal pra todos e cada uma e cada um!
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